Você já ouviu falar na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)? Essa lei, em linhas gerais, suscita um novo olhar não somente sobre o direito à privacidade, como também o da propriedade das informações pessoais de cada um.

Mesmo que você não tenha lido os termos de uso da rede social em que resolveu fazer parte e cedeu o direito de propriedade de suas informações pessoais, a lei garante que cada pessoa passa ser dona de seus próprios dados, cabendo a ela optar ou não por armazenar, ou permitir seu tratamento por terceiros.

A LGPD então é positiva?

Daniel Schnaider, CEO da Pointer Brasil, líder em telemetria para redução de custos, prevenção de acidentes e roubo de frotas , avalia que, como cada pessoa é responsável por seus dados pessoais, a LGPD é muito positiva no sentido de criar uma consciência em cada cidadão sobre a importância de fiscalizar como as suas informações estão sendo utilizadas por empresas e governos. No entanto, existe um desafio muito grande para isso, até porque nossos dados não são coletados apenas quando os cedemos de forma voluntária. Dados diversos nossos são constantemente garimpados pelas mais diversas ferramentas, sem que ao menos tenhamos noção disso.

“Acontece que vivemos em um mundo cada vez mais conectado pela internet das coisas, também conhecido por uma famosa sigla, o IoT (internet of things, em inglês). O tempo passa e se popularizam mais objetos conectados, que estão coletando as informações das pessoas a todo o instante. E se existe um grande dilema que o IoT traz é o debate entre o público e o privado. Eu me pergunto, será que é possível mesmo manter a privacidade se estamos cada vez mais próximos de um cenário à la Big Brother, que tudo vê e controla, profetizado pelo autor George Orwell, em seu célebre romance 1984?”, reflete, Schnaider.

A utilização desses dados configura quebra de privacidade?

O CEO acrescenta que o levantamento de dados realizado pelo governo utilizando os dados de tráfego das operadoras de telefonia móvel para mensurar a quantidade de pessoas em isolamento social, ao contrário do que possa parecer, não caracteriza invasão de privacidade, por exemplo. “É justamente aí que entra um conceito importantíssimo quando unimos os dois debates, entre a conectividade e a privacidade.Trata-se do conceito do metadado, ou seja, das informações resultantes de estatísticas de uma quantidade enorme de dados desagregados”, acrescenta.

“Governos não devem ter acesso a dados inerentes às liberdades pessoais de cada um”. No entanto, Schnaider avalia que pode ser de interesse público, por exemplo, a medição do índice de isolamento, onde os governos utilizam dados em massa, coletados de grupos específicos, para fiscalizar o cumprimento de leis e aplicar políticas públicas.

Outras tecnologias

Schnaider lembra, de uma tecnologia chamada telemetria, que é usualmente utilizada para monitoramento de veículos que exercem atividades comerciais, que transmitem em tempo real informações como trajeto, consumo, velocidade qualidade da carga, entre outros.

“Agora imaginem se o veículo pessoal de cada um de nós tivesse dispositivos como estes. Respeitadas as liberdades individuais, seria um mundo de possibilidades. As autoridades poderiam, por exemplo, desde verificar rapidamente danos na pista até detectar regiões onde há postos de combustível com gasolina adulterada, com base na análise de queda de rendimento do litro por quilômetro rodado pelos carros e mais”, analisa o CEO.

Daniel acrescenta que o debate acerca desse tema precisa ainda de amadurecimento e que o carro é apenas um exemplo de dispositivo conectado que coletam informações. “O seu relógio, a sua geladeira, seu tênis e até a sua casa no futuro estarão conectados. É por isso que a relação entre tecnologia e privacidade será o grande desafio do IoT em tempos que não estão muito longes de vir”, finaliza.