O ano de 2020 poderia ser lembrado no futuro como um ano de expansão de mercado, pelo menos assim se esperava e era a maior preocupação do brasileiro antes da atual crise do coronavírus. Mas, parece mesmo é que o ao será lembrado como o ano do maior tombo financeiro desde a depressão de 1929. Provavelmente será lembrado na história por conta da Crise do coronavírus

Um vantagem mundial é que de 1929 para cá, nenhuma economia parou. Segundo Leandro Batista, diretor de Operações na Capital Social Contabilidade e Gestão “O Reino Unido, por exemplo, vai pagar 80% dos salários de todos os trabalhadores para evitar demissões. Na Alemanha, o pacote econômico atingirá 30% do seu PIB (Produto Interno Bruto) e nos Estados Unidos, o valor do pacote vai ser maior que todo o PIB do Brasil, somando 2 trilhões de dólares”.

Destaca ainda que “no Brasil, as medidas adotadas até aqui parecem insuficientes e ineficazes para dar conta do recado, a exemplo do auxílio Coronavoucher, de R$ 600, que não atinge os que precisam e nem chega na velocidade ideal”.

Na real mesmo, o que se observa é que o acesso ao crédito pelas empresas tem sido bem difícil, seja por ineficiência na contabilidade, burocracia ou até mesmo por despreparo no mercado financeiro para agir em cenário atípico como o atual. Além disso, inseguranças são geradas quase que diariamente com publicações de Portarias que mudam e trazem novas informações o tempo todo acerca de medidas de proteção do emprego, gerando insegurança jurídica e uma ansiedade generalizada.

A hora é de tomada de decisões sérias, tanto na questão sanitária, quanto para o alavancamento da economia. Leandro Batista destaca que uma saída para a questão econômica: “Na perspectiva econômica, temos as políticas monetárias, há tempo negligenciadas por causa do combate à inflação. É claro que ninguém quer a volta da inflação, mas, com queda no consumo de 20% neste ano, é loucura pensar que a inflação irá voltar tão cedo. Além disso, a taxa de juros, que já está no menor patamar das últimas décadas, não será suficiente para qualquer reação ou retomada da economia”.

Como o momento é de incertezas, o natural é as pessoas frearem o consumo, e é o que está acontecendo. As empresas demitem para protegerem seus caixas e isso pode se tornar um problema se generalizado. A ampliação do dinheiro a quem precisa é garantia de retorno à economia, basta fazer o dinheiro circular.

Atingir o mercado real e não o financeiro através da recomposição monetária é um aexcelente caminha para fazer esse dinheiro circular e entre algumas medidas destacadas por Leandro estão: “ampliação do diferimento dos impostos nas empresas, Tesouro atuando mais diretamente para conceder empréstimos diretos para as Pequenas e Médias Empresas. Pode-se devolver 100% do FGTS dos saldos de contas dos trabalhadores, diferir os pagamentos das prestações da casa própria e emprestar dinheiro para pessoas físicas com base no Imposto de Renda, utilizar as ferramentas disponíveis para garantir uma renda mínima aos informais e autônomos e revisar a tabela do IR”.

“Essas medidas elevaram a dívida pública sem dúvidas, porém utilizando a expansão monetária e o próprio mercado é possível evitar um colapso, que no caso brasileiro elevará a quantidade de vítimas para além daquelas que morrerão por causa do coronavírus”, destaca o economista.

Por Leandro Batista de Oliveira