A pandemia gerou uma crise mundial, impactando diversas empresas do mundo inteiro. Houve, inclusive, um alerta da Organização Internacional do Trabalho, em abril, que, se nenhuma medida fosse tomada a tempo, mais de 436 milhões de empresas poderiam fechar as portas em todo o mundo.

Além disso, projeções do Banco Mundial e bem lembradas por Gabriela de Ávila Machado, advogada, DPO (Data Protection Officer) certificada e líder da área societária do Marcos Martins Advogados, apontam queo caos econômico terá impacto direto no mercado de trabalho, que deve registrar um aumento do índice de desemprego de 8% para 12,3% na região da América Latina e Caribe. Sem renda, empregos e oportunidades, o consumo das famílias deve continuar diminuindo, agravando ainda mais a crise.

“Por isso é tão importante zelar pela saúde das empresas. Enquanto muitas delas estão, pouco a pouco, aprendendo a lidar com o chamado “novo normal” para além das questões de saúde e segurança dos colaboradores, outras, infelizmente, não conseguirão sobreviver à crise. Isso abre margem para um cenário favorável a fusões e aquisições”, destaca a advogada.

Fusões e aquisições de empresas

Gabriela aponta que, no primeiro semestre de 2020 houve uma queda de 25% do número de fusões e aquisições no Brasil, por exemplo. No entanto, que os próximos meses devem inverter essa situação.

A hora é bem propícia para aproveitar que o dólar está em alta e conquistar a confiança do investidor estrangeiro, trazendo ainda mais recursos para o país. A advogada lembra que o dólar em alta ampliar as vantagens dos investidores estrangeiros frente ao empresário brasileiro. No entanto, exige que o Brasil se mostre competente em relação ao combate à doença, buscando tranquilizar os compradores interessados e diminuir seus riscos de investimento.

“Por outro lado, as empresas em dificuldade financeira terão menos recursos para exigir garantias no processo de fusão e aquisição, tendo que se satisfazer com preços menos competitivos, tudo isso, ao olhar do investidor, facilitando o processo de compra. O que deve permanecer o mesmo, no entanto, é o comprometimento da due dilligence, processo de investigação essencial para esse tipo de operação”, destaca.

Inclusive, assim como em qualquer transação, os riscos devem ser avaliados. A melhor coisa que a empresa tem a fazer é, em surgindo a oportunidade, contar com uma assessoria jurídica que irá avaliar os riscos envolvidos na transação a curto, médio e longo prazo. “São avaliados diferentes cenários e variáveis que podem afetar o negócio, levando em consideração todas as áreas relativas às atividades da empresa: jurídica (trabalhista, tributária, contratual, cível e societário), contábil, ambiental, entre outras”.

“Com essa análise completa, é feito um relatório por meio do qual o comprador poderá avaliar e balancear os riscos e benefícios envolvidos”, finaliza a advogada.

Crescimento previsto

Nos próximos meses poderemos observar um crescimento nos processos de fusões e aquisições, mesmo que não sejam totais, devido ao cenário de imprevisibilidade, devem ganhar espaço as compras parciais, de cotas ou ativos das empresas, argumenta Gabriela. “Essas envolvem menos riscos de sucessão e ainda oferecem vantagens aos compradores. O mais importante neste momento é manter a mente aberta, buscando aproveitar as oportunidades no mercado. Agir hoje pode significar a sobrevivência do negócio amanhã” conclui.