Já pensou em receber em dinheiro vivo quando contenplado em um consórcio? Pois é, o Banco Central (BC) publicou essa semana, por meio da Circular n° 4.009 de 28/4/2020, uma nova regra adotada em caráter temporário, em que o consumidor contemplado em um consórcio, que já tenha quitado todas as parcelas, saque o crédito em dinheiro vivo ou ainda receba o dinheiro em sua conta bancária de preferência.

Como funciona a nova regra?

Antes da publicação da nova regra, o consorciado só poderia realizar o saque após 180 dias. O consorciado não tinha acesso ao dinheiro, mas sim ao crédito para compra direta do bem ou do serviço. O pagamento, até então, era realizado diretamente pela administradora ao fornecedor escolhido pelo consorciado (vendedor do imóvel, veículo e por assim em diante).

Não é pegadinha! A medida adotada em caráter temporário garante o saque do dinheiro ou transferência para a conta do consorciado assim que sorteado.

“A novidade chega em um momento crucial para a economia brasileira, que como o resto do mundo vem enfrentando uma crise econômica profunda, como decorrência da escalada da pandemia do novo coronavírus. Com o comércio, parte da indústria e dos serviços paralisados, falta dinheiro no mercado. E, no mercado de consórcios, estima-se que existam hoje R$ 34 bilhões em crédito represados”, disse Marcio Kogut, CEO do Mycon, fintech de consórcios 100% digital.

Muitas pessoas procuram o consórcio como alavancagem financeira, pela rentabilidade em relação à poupança, mas ficam sem poder sacar o crédito quando contempladas, muitas vezes não retirando o crédito inclusive por conta do prazo estabelecido ou porque não precisavam comprar o bem.

Como conseguir o valor em dinheiro vivo?

“O pedido de saque pode ser feito tanto por quem está enfrentando dificuldade na hora de buscar um imóveis no mercado neste momento ou por quem tem necessidade urgente de recursos financeiros. Para isso, é preciso já ter sido ou ser contemplado pelo consórcio até 31 de dezembro deste ano. E se você ainda não tem uma carta de crédito, minha dica é tentar dar um lance, principalmente se já pagou a metade da cota total do consórcio” sugere Kogut.

Marcio explica que, para alguém que já pagou R$ 50 mil de uma cota de R$ 100 mil, por exemplo, a administradora permite usar até 30% do crédito como lance de quitação. Ou seja, o consorciado poderá usar R$ 30 mil. Precisará, então, desembolsar R$ 20 mil para pagar o lance. Se for contemplado, receberá 70% do valor para usar no que for necessário. A administradora vai retirar os R$ 30 mil do valor.

Para o CEO da Mycon, essas mudanças criam uma janela de oportunidade para o mercado de consórcios. “Do lado do consumidor, é o momento de tentar sacar o recurso, que às vezes está paralisado ou até deixado de lado pelo consumidor, que perdeu o interesse pelo produto. É também uma chance para, quem pretendia investir no setor, fazer o aporte inicial e se beneficiar os prazos mais longos para o segundo aporte, fazendo do limão, uma boa limonada”, finaliza.