O Brasil, extenso em território, com agricultura e agropecuária fortes, é um histórico exportador de commodities e importador de manufaturas. Apesar disso, as exportações garantem ao país uma parcela ainda pequena do PIB.

“Estamos entre os maiores exportadores de café, soja, milho, laranja e açúcar, além de carnes. Contudo, deixamos muito a desejar na hora de exportar produtos de maior valor agregado. Inverter essa lógica pode ser a grande oportunidade do país para sair da crise imposta pela pandemia do novo coronavírus – em especial pela alta do dólar”, disse sugere Alexandre Pierro, sócio-fundador da PALAS, uma consultoria de inovação e gestão pioneira na implementação da ISO 56002.

Como o mercado brasileiro se apresenta

Somos o país das commodities, segundo o Índice de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getúlio Vargas, referente a maio, somando 71% das exportações brasileiras. Mais importante, o setor agropecuário teve um aumento de 44,2% entre os meses de maio de 2019 e 2020, seguido do aumento de 11,3% da indústria extrativa. No entanto, a indústria de transformação registrou nova queda, atingindo 13,7%.

Talvez o principal motivo da queda nos números da indústria de transformação sejam os baixos investimentos do país em inovação e tecnologia industrial. Por exemplo, o número de organizações prontas para automação não soma 2%, segundo dados da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), diferente de países como China, Estados Unidos e União Europeia que tem mais de 50% de suas indústrias adaptadas à Indústria 4.0. Em suma, o país está muito abaixo do que deveria.

Além disso, Pierro levanta uma outra questão: “O Brasil sofre de outro mal: sua própria grandeza. Com mais de 8 milhões de quilômetros quadrados de extensão territorial e mais de 210 milhões de habitantes, é comum percebermos que a grande maioria dos empresários do país foca suas estratégias única e exclusivamente no mercado interno. O Brasil parece grande o bastante para a nossa classe empreendedora, que prefere limitar suas ações para as fronteiras verde e amarelas”.

O que impede que o brasileiro exporte?

O empreendedor brasileiro tem dificuldades em aprender outros idiomas e se conectar com outras culturas, a condução dos negócios, em muitos casos, acontece pela experiência do dono, o que acaba engessando um pouco o comércio e não permite crescimento e expansão. E isso ficou muito evidente com o fechamento de vários comércios durante a pandemia, pelo simples fato das empresas não terem caixa suficiente para se manterem abertas.

“Somado à isso, o empresário brasileiro não tem o hábito de seguir modelos de gestão internacional, como as certificações ISO, que atestam a conformidade em requisitos de padrões mundiais para exigências como qualidade, meio ambiente, saúde e segurança ocupacional, inovação, entre outras. Esses certificados são tidos como obrigatórios em muitos países e não tê-los significa simplesmente não participar do mercado internacional”, completa Pierro.

Por que investir na exportação?

Segundo o sócio-fundador da PALAS apostar apenas no mercado brasileiro, nesse momento, pode ser o motivo de colher problemas à médio e longo prazo. Certamente,”Com milhares de empresas encerrando suas atividades, o nível de desemprego subindo e a renda das famílias sendo drasticamente reduzida, o consumo interno será limitado apenas aos itens básicos por um bom tempo. Dessa forma, diversos setores da economia serão bruscamente afetados, gerando um ciclo de escassez enorme”, completa.

Enquanto isso, se os empresários inovarem e buscarem  mais eficiência operacional, mercadológica e tecnológica, a consequência disso será a inserção de produtos mais competitivos e atraentes ao mercado externo. “Com o câmbio favorável às exportações, o país conseguirá aumentar sua balança comercial, trazendo dinheiro do exterior para ser investido por aqui. Com esses investimentos, voltaremos a gerar empregos e renda para as famílias que tenderão a consumir mais e melhor”, revela Pierro.

Não há um caminho mais fácil para vencer a crise. Da mesma forma que não dá pra esperar apenas pelo governo. Os empresários precisam investir em competitividade, rompendo as fronteiras e buscando a profissionalização da gestão a fim de competir de igual pra igual com os países desenvolvidos. Basta ao empresário apenas encontrar os melhores parceiros e implementar as tecnologias adequadas para conquista do novo mercado.