Tem-se visto com frequência a frase do momento: “o novo normal.”. Para a especialista em Administração e Marketing de Empreendimentos Comerciais, Roberta Veloso, esse novo normal carrega significado de mudanças, comportamentos e atitudes. Porém, traz consigo também a incerteza. A especialista aponta que o novo assusta e, além disso, mexe com as sensações e sentimentos do ser humano. “A imprevisibilidade dá um toque, para muitos, de redescobrimento” destaca.

O que esperar da indústria de shopping centers e o que comentam os estudiosos?

São várias as linhas de pensamento sobre a percepção do novo normal nos centros comerciais e diversos são os questionamentos sobre os mais de 500 shoppings espalhados pelo país. Será que sobreviverão? E quanto aos pequenos varejistas? Será que terão fôlego para seguir?

O entendimento de Roberta, nesses 30 anos de jornada no mercado de shopping centers e varejo, é que alguns sinais evidentes estão sendo deixados de lado nesse momento. A especialista avalia que nesses primeiros momentos de retomada, a vedete foi o front de atuação na parte operacional. “Com certeza havia a necessidade de aplicar os protocolos exigidos – e cada shopping de acordo, com a situação financeira, está tentando oferecer ao consumidor a sensação de segurança na parte de higiene e sanitização.” afirma.

Contudo, com o passar os dias, estudiosos analisaram os números e a performance dos empreendimentos e, conforme esperado, foi destacado que o fluxo de pessoas não voltaria a sua normalidade. Assim como, verificou-se um caixa comprometido e a  necessidade de investimentos na contratação ou retorno das equipes, na análise do estoque e nos insumos necessários para abrirem as portas.

O Marketing como meio de sobrevivência

Roberta acredita que há esquecimento de uma peça importante: o marketing – o plano de ação a curto e médio prazo para sobreviver ao novo normal. Para a especialista, as grandes administradoras já elaboraram e, vão colocar em prática, as estratégias para a manutenção do seu negócio. Porém, destaca que nesse universo de shoppings espalhados pelo Brasil há uma fatia de pequenos centros comerciais que já enfrentavam situações delicadas no fluxo de caixa e no fundo de promoções.

A especialista ainda cita as administradoras de pequeno porte que não possuem estruturas internas para pensar e desenvolver o planejamento de um novo marketing. Devido ao fechamento obrigatório de shoppings, atividades das empresas foram paralisadas e a área de marketing praticamente exterminada. Veloso traz que se for observado em detalhe, aquele que não parar e olhar para esse departamento, provavelmente sofrerá consequências graves no futuro próximo.

Finalizando a análise, Roberta reforça que é preciso que o desenho e condução da área de marketing seja outro, ainda que os objetivos continuem iguais. Assim, cita variáveis importantes como o digital e apoio direto ao pequeno varejista que serão ingredientes fundamentais para se ultrapassar a entressafra.