O período de recessão econômica maximizou os empregos temporários e os famosos bicos. Mas, independente da recessão, esse cenário é algo que devemos estar preparados, já que mudanças de comportamento e cultura devem culminar no fim da era do emprego e iniciar a era do trabalho, com cargos flexíveis e igualmente instáveis. Em resumo, será ainda mais difícil conseguir o emprego dos sonhos.

O economista britânico Guy Standing, Ph.D pela Universidade de Cambrigde estuda há anos as mudanças no mercado de trabalho provocadas pela globalização e pela revolução tecnológica. E em 2011, ele publicou um livro falando sobre o “precariado”, combinação entre as palavras “proletariado” e “precário”, onde, segundo ele, esse grupo de pessoas passa a vida sobrevivendo entre trabalhos temporários, ou seja, tendo que sobreviver literalmente, o que é frustrante.

Para Marcos Yabuno Guglielmi, coach empresarial certificado da ActionCOACH, empresa número 1 do mundo em coaching empresarial, essa tendência já vem acontecendo há anos. “Jovens recém-formados se frustram ao se deparar com um mercado de trabalho pouco acolhedor, que os recebe como mais um de uma linha de produção. E é aí que mora o problema. Enquanto a geração anterior foi condicionada a entrar em uma empresa e ir, pouco a pouco, conquistando seu espaço, hoje as vagas estão cada vez mais escassas e o mundo se tornou ainda mais volátil”, destaca.

E observando todo esse contexto, fica bem difícil para o trabalhador, que já assume uma função sabendo do prazo de validade da mesma e tem que se virar para gerar ao menos a sensação de dever cumprido na execução do que lhe foi designado. “De fato, não é nada fácil para quem foi ensinado que bastava estudar e você estaria feito pelo resto da vida. A 4ª Revolução Industrial chegou atropelando todos os planos e dando uma nova cara ao emprego tradicional, mais especializado e menos operacional”, acrescenta Marcos.

Perspectivas e ações para o futuro

As perspectivas não são das melhores. O relatório “Futuro do Trabalho”, por exemplo, publicado em 2016 pelo Fórum Econômico Mundial, já estimava a perda de mais de 5 milhões de empregos até cinco anos. Além disso, com o cenário deixado pela pandemia, é que não pode se esperar muita coisa para alguns setores. No entanto, Marcos lembra que “áreas como computação, matemática, arquitetura e engenharia devem ter um ganho de 2 milhões de empregos”.

Mas não se engane. Ter aquela formação mais do que completa, não garantirá mais sua inserção no mercado de trabalho. O momento é de, talvez, pensar em abrir seu próprio negócio, ou investir no marketing pessoal vislumbrando ser notado por alguma empresa. Além do currículo, um profissional com uma boa rede de conexões, resiliência, proatividade, espírito de equipe e um cidadão ativo na sociedade pode atrair olhares e te dar o emprego que você almeja.

“A pandemia acelerou tendências e mais do que nunca é preciso correr atrás do tempo perdido. Procure aprimorar suas características positivas, acadêmicas ou não, e elaborar aquilo que pode te enfraquecer profissionalmente. Entre as poucas certezas para os próximos anos está a que permanecer na zona de conforto não leva a nada. O trabalho com propósito parte do princípio de encontrar aquilo em que você se sente realizado e ir atrás de oportunidades para que isso se concretize. Bem-vindo, a era do trabalho já começou!”, finaliza Marcos.